"...DEVERIA SABER QUE O SONHO É MATÉRIA INFORME. COM ELE NÃO SE TRABALHA. ELE SE DESFAZ AO TOQUE, COMO AS NUVENS SE DESMANCHAM EM UM DIA DE INTENSO CALOR. PERTENCE AO MUNDO QUE NÃO SE PODE VER, QUE NÃO SE DEIXA TANGER."
Não sou um homem muito varonil, tenho que confessar. Mas peraí, vamos devagar com este andor! É preciso antes de tudo esclarecer: Isso não quer dizer que eu seja gay! Não tenho nada contra, mas eu gosto mesmo é de mulher.
Quem me conhece sabe muito bem que o meu comportamento não é tipicamente (prefiro o termo caricatamente) masculino. Afinal, o modo independente em que fui criado, ocupando-me desde cedo de serviços domésticos e até mesmo cuidando de uma irmã mais nova, fez de mim um homem, digamos, um pouco fora dos padrões. Talvez haja outros motivos. Vamos enumerá-los: 1º) não sou machista, 2º) não tenho grandes tabus em relação ao sexo (digo sexo= gênero masculino e feminino), 3º) sou um cara que não divide muito as coisas, afinal, em um nível mais elevado, somos todos feitos do mesmo barro.
Uma outra explicação possível para este meu modo de pensar um tanto atípico, pode ser encontrado na Astrologia: Vênus retrógrado em Escorpião na casa 9 faz com que as pessoas tenham comportamentos não-convencionais em relação ao sexo ou experimente situações cotidianas inerentes ao sexo oposto.
Mas não querendo apelar para questões extra-ordinárias, já que não devo satisfação dos meus atos a ninguém e não quero que os céticos de plantão caíam em cima de mim por causa da alusão ao mapa astral, vou seguir a linha de raciocínio que me levou a escrever este texto. Boceta! É isto mesmo! Vocês me escutaram muito bem. Bo-ce-ta!
Para justificar parte do que apresentei acima, tenho que dizer que nem sempre me sinto à vontade trocando confidências sexuais com outras pessoas, sobretudo, com estranhos. Esta semana curiosamente eu conheci um rapaz, na escola em que trabalho. No final do expediente, ele me perguntou de que forma eu pretendia voltar para casa. Respondi que pretendia pegar um ônibus e, depois de convencê-lo com alguns argumentos práticos, ele resolveu que seria melhor me acompanhar.
No meio do caminho ele me contou que estava com sono e que precisava descansar um pouco. Tinha um encontro à noite e precisava estar ‘concentrado’. Fiquei escutando-o falar. E depois de algum tempo em silêncio, ele sorriu e naturalmente me veio com essa: “O que a gente não faz por uma boceta, não é?” Sorri também, mas não respondi. Dentro de mim se misturaram zombaria e constrangimento (porque em minha timidez habitual, eu era incapaz de devolver uma frase do gênero).
Pensei com os meus botões entre risadinhas inaudíveis: “Boceta! O que a gente não faz por uma boceta!” Repeti comigo a frase algumas vezes. De repente, a minha mente reagiu: Me-to-ní-mi-a. A parte pelo todo. Uma rica figura de linguagem. Fui levado a pensar em poesia. Lembrei então de um verso de Neruda: “Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito, tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos, e o fogo genital transformado em delícia.” Nem ele foi tão explícito!
Veio imediatamente à minha mente a imagem da genitália feminina separada das outras partes do corpo, como uma lagartixa sem o rabo. Uma boceta desgrenhada, falante e verborrágica como certas mulheres que vemos por aí. Imaginei uma boceta sentada à mesa de um restaurante querendo discutir a relação. “Impossível! Nenhum homem ousaria dizer uma frase dessas se uma boceta quisesse ter uma D.R.” Num verdadeiro pesadelo surrealista, todas as mulheres que vinham pela rua se transformaram por um momento em bocetas gigantes de todos os tipos, cores e formas, bem ao estilo dos antigos filmes de Godzila. “Made way! Made way! Estamos sendo invadidos por seres alienígenas.”
Descrente, cocei os olhos e acordei. Um sorriso sarcástico escapou dos meus lábios. Pensei será que as mulheres ficam incomodadas com esta forma carinhosa na qual, nós homens, se referimos a elas? Ou será que elas têm conhecimento deste código sexual empregado por nós? Será que elas, também, fazem entre si, comentários do tipo: “olha lá aquele pênis, que pedaço de mau caminho”! “Dei umas voltinhas com aquele pinto ontem!” e por aí vai. Achei esta idéia um tanto bizarra. Odiaria que me vissem apenas como um membro! Afinal conheço homens que não conseguem entender porque algumas mulheres usam vibradores. Sentem até ciúme e certo despeito do dito-cujo. “As mulheres não devem gostar?!” “Não devem pensar o mesmo,” intuí.
Confesso, sou homem, mas nunca usei tal expressão e nem pretendo usar. Acho estranho desmembrar uma parte do corpo de uma pessoa, ainda que de forma figurada! Deixo tal servicinho sujo para os médicos legistas, ou quem sabe, para os esquartejadores. Até hoje não consigo entender muito bem a tara que algumas pessoas sentem pelos pés. “Que merda, tem alguém aí que transa só com os pés?!”
Por isso e por outras, me perdoem rapazes, sei que corro o risco até de ser chamado de bicha, mas continuo preferindo o tradicional. Nada de pés, de mãos, de bocas e olhos se estes virem desacompanhados do corpo. Continuo dando preferência a boa e velha mulher, com tudo que se pode ter direito.
Obs.: Não foi burrice minha escrever BOCETA com “O”. É proposital. BOCETA com “O” não é palavrão, soa menos pejorativo e, é sinônimo de caixinha, como a de Pandora.
Estou respondendo o convite que a Nívea do blog Words Away me enviou. Sei q é um tanto tardio, mas ando meio sem tempo, por isso, perdão pela demora.
As regras do MIMO são as seguintes:
Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de ir embora daqui; (este embora daqui seria um eufemismo? hahaha)
Convidar 08 (oito) amigos de outros blogs para responder também;
Comentar no blog de quem nos convidou;
Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
Mencionar as regras deste MIMO;
RESPONDENDO: (Dos simples aos mais complexos)
1) Quero dar um amasso em alguém nos jardins da UERJ hahaha!;
2) Quero dizer umas verdades pra uma certa pessoa que merece ter a crista quebrada;
3) Quero reunir todos os meus amigos numa big festa! (Nem que eu tenha que mentir e dizer que estou à beira da morte);
4) Aprender a dançar;
5) Terminar a faculdade de Letras, fazer o Mestrado e depois o Doutorado;
6) Terminar meu livro;
7) Aprender Grego, viajar para a ou morar na Grécia;
8) Casar, ter muitos filhos, ter casa própria.
Sei que tem uma porção de outras coisas mais... Tenho uma porção de sonhos, alguns podem ser definidos como fantasias, vontades e desejos, mas se encaixam perfeitamente nas coisas que sonho.
Por alguns motivos pessoais, não repassarei a convocação deste MIMO a outros blogueiros. Mas deixo este convite em aberto para todos que demonstrarem interesse.
Revi “Peixe Grande” um dia desses. Filme dirigido pelo sensacional e sempre inovador Tim Burton, com Ewan McGregor, Jessica Lange e Helena Bonham Carter no elenco. Mas o que me interessa não é elogiar a direção ou a atuação dos atores ou falar do filme como uma obra de arte do cinema-fantástico. O que me interessa é falar das impressões que este filme despertou na minha vida e de algumas possíveis coincidências.
Sou um apaixonado pelo trabalho do diretor Tim Burton. Sou um aficionado por literatura fantástica e, portanto, por qualquer coisa bem feita que beire ou mergulhe profundamente nas águas da fantasia. O filme, já de início, ganhou uns pontinhos comigo, por ser uma obra fantasiosa e por explorar com sensibilidade os paradoxos realidade/fantasia, verdade/mentira, fato/mito. Além disso, apresenta um universo rico em personagens dignos de um verdadeiro conto de fadas. Dentre eles, destaca-se o protagonista Edward Bloom — vivido respectivamente, em fases distintas, pelos atores Ewan McGregor e Albert Finney — uma personagem daquelas que aprisiona por ser uma espécie de coringa, de pícaro, que transforma o nosso olhar sobre as coisas quando começa a contar as suas histórias.
Eddie Bloom é um contador de histórias. Um daqueles fabulistas da tradição oral que nos prendem com os seus causos exagerados e, por vezes, absurdos. Sua vida é uma estória com ‘e’, uma sucessão de fatos pouco prováveis ou surreais, um mito trazido à tona onde a realidade se mistura e se confunde com a ilusão. Ao espectador do filme, cabe à grandeza de saber observar a obra não com olhares severos, mas com a sensibilidade de quem pode se deixar transportar para um mundo de novas possibilidades.
O mentiroso ou o fabulista vivido na maturidade por Finney é, sem sombra de dúvidas, um dos meus personagens favoritos e um dos tipos fictícios com quem eu mais me identifico. Cresci ouvindo as estórias fabulosas do meu avô, personagem real mais fictício que já conheci. Um homem de uma memória excepcional e com um talento inato para contar e recontar estórias. Com o meu avô, aprendi a sonhar. Creio eu, que muito do meu gosto literário e o meu desejo de se tornar escritor, foi de alguma forma impulsionado por ele e pelas impressões que as suas histórias me deixaram. O senhor Valdir foi o meu Edward Bloom na vida, o homem que roubou os meus olhares, atenções e ouvidos durante a infância e que injetou nas minhas veias o gosto adocicado pela fantasia e pelo contar e ouvir estórias.
Como as do protagonista, as suas estórias sempre estiveram no limiar entre a verdade e a mentira. Mas eu, com o meu enorme coração de criança, não deixei de duvidar um só instante delas ou do que o meu avô, com tanta convicção, me contava. Hoje na casa dos trinta, deixei de lado muitas das ilusões infantis e juvenis que carreguei, mas, diferente do filho de Eddie Bloom — o personagem de Billy Crudup que duvidava do pai — continuei dando crédito as palavras do meu avô. Talvez porque resida em mim uma resistência em crescer, ou talvez porque crescer não signifique exatamente deixar de cultivar algumas ilusões saudáveis para se ser homem.
Toda vez que assisto a este filme me emociono, porque me faz lembrar com saudade dos primeiros anos da minha vida, quando reunidos na sala de estar, íamos ouvir as estórias que meu avô nos contava. O roteiro inspirado de Burton me faz pensar com alegria na vocação que descobri dentro de mim naqueles meus primeiros passos da vida. Fico feliz por saber que no aquário da sala cultivávamos também, com todo afeto, o nosso Peixe Grande.
“Tenho vocação para santo e, por isso, ando perdendo a minha humanidade,” foi o que eu disse inconscientemente a um amigo durante um desabafo.
Eu sou tão bonzinho, que todos esses anos eu tenho sido compreensivo e aceitado de forma muito passiva a rejeição. Mas desta vez, eu acho que a minha auréola se partiu, porque deixei falar alto o meu egoísmo (ou a minha urgência em ser amado) e não compactuei em continuar sendo amigo de quem eu amo.
Estou tão cansado de ouvir o quanto eu sou especial, uma pessoa linda e um tipo de amigo leal e sensível. Tão cansado de me terem como a um irmão. Sou humano, homem, feito de carne e osso, e parodiando o Judeu de “O Mercador de Veneza”, eu me apaixono, me encanto, eu amo, me iludo e sinto desejo. Quero as mesmas coisas que qualquer pessoa deseja. Busco amar e ser amado, fazer felizes as pessoas que eu amo e ser feliz também.
Tenho gastado muito tempo sendo caridoso sem ter algo em troca. Tenho pedido e ninguém tem me atendido. Tenho estendido o braço sem que ninguém me deixe ao menos uma migalha. Infelizmente (ou felizmente) desta vez não dá para sorrir amarelo e fingir que tudo está bem. Não está... O coração está partido em mil pedaços, cansado de bater de porta em porta e suplicar por amor. Tenho ido aos endereços errados, decerto! Mas fazer o que se por necessidade e carência sempre se busca alimento onde não se é querido.
É verdade, M... tudo passa... Eu irei superar... Mas no momento, o mundo, o céu e o inferno ardem juntos dentro de mim.
Tínhamos descido a longa rampa e chegamos ao hall dos elevadores. De repente, uma moça curiosa e muito objetiva, virou-se e perguntou a um rapaz:
— Cadê a sua namorada? Vocês terminaram?
— Não. Ela foi para casa da mãe.
— Hã, — olhou para ele e depois vagamente em volta de si. — Pensei que vocês tivessem terminado!? Afinal, nunca mais vi vocês se agarrando pelos cantos.
Antes que o rapaz pudesse meditar sobre uma resposta adequada, a moça sentiu dentro de si a comichão que geralmente dá nos estudantes de Letras quando percebem terem dito ou ouvido alguma abobrinha gramatical.
— Peraí — pensou consigo — a forma “se agarrando” de acordo com as explicações do professor tal não é correta. O verbo é pronominal ou reflexivo? Neste caso... — continuou divagando sobre o uso correto do verbo agarrar.
Eu, que sou uma pessoa interessadíssima nas palavras, que sempre as isolo e as disseco ao máximo, fiquei ali acompanhando de perto o desenrolar daquela querela interior.
O elevador chegou e a porta se abriu. Entramos. Acomodei-me bem ao fundo e esperei que as outras pessoas se ajeitassem. A discussão acerca da palavra havia cessado. A moça e o rapaz, agora, falavam de outra coisa, que em nada lembrava namoro, rompimento, ou lições gramaticais de altíssima complexidade.
De repente, comecei a pensar com os meus botões. O verbo “agarrar-se” havia curiosamente se agarrado com força aos meus neurônios, mostrando-se tão poderoso quanto aquele verbo primordial que Deus havia pronunciado no começo dos tempos. Fez-se então, a luz:
“Não importa saber se “agarrar-se” é verbo pronominal ou reflexivo ou se está sendo gramaticalmente utilizado de forma correta ou coloquial. Quando duas pessoas se amam, sentem atração e vontade de estarem uma com a outra, agarrar-se passa a ser um verbo mais que correto, no sentido de que quando se agarram, esquecem do mundo, dos problemas, do próprio umbigo, para olharem o umbigo do outro. Neste ponto, agarrar-se significa misturar-se, fundir-se, ser uno, o que encaixa perfeitamente em um possível dicionário poético-amoroso.”
Despertei do meu delírio quando uma luzinha vermelha acendeu no painel superior do elevador. Dei-me conta que estava cercado de pessoas e tive medo que o meu pensamento tivesse ido além. “Meu Deus, não é possível! No meio de tanta gente inteligente, como posso vir com uma dessas?” — me interroguei culpado.“Eu sou mesmo um subversivo. Vivo sempre invertendo a ordem das coisas. Assim não dá, acho melhor mudar de profissão.”
“... Não... acho que não... creio que só hoje começo a entender um pouco daquilo que não entendi durante o curso, — sorri — daquilo que os lingüistas chamam de Gramática Interna.”
Tenho recebido mensagens avisando sobre um possível problema na visualização deste blog e dos demais. Aviso: não se trata de um problema interno do blog ou da escolha de um layout errado. Trata-se de um problema causado pelo navegador Internet Explorer, que parece ser incompatível com o sistema de codificação do Blogger.
[A forma correta de visualizar este blog é observar um fundo preto, com fontes nas cores branca e azul claro e a imagem de uma lua cheia e um céu estrelado].
Na realidade, não sei bem ao certo que medida devo tomar. Conversei com um amigo que me deu algumas dicas, mas todas no sentido de uma nova e exaustiva reformulação deste blog. O fato é que, depois de algum tempo trabalhando duro, consegui personalizar os meus blogs e não gostaria de ter que reformulá-los apenas por um capricho de um programa pouco inteligente que não me permite explorar todo o seu potencial.
Tenho dois navegadores instalados no meu PC, o Internet Explorerversão 6.0 e o Mozilla Firefox 3.0.5(o qual uso com maior freqüência e que, até agora, não me deu nenhuma dor de cabeça). Adotei esta medida há algum tempo atrás, já que tive problemas para visualizar até mesmo outros tipos de páginas (home banks, sites de concurso público e, até mesmo, o site da universidade onde estudo) fazendo uso do Internet Explorer.
Sei que 60% dos usuários (por falta de conhecimento ou por gosto próprio) usam o navegador da Microsoft e, que é muito difícil abandonar, de uma hora para outra, um hábito considerável confiável, mas peço que experimentem o Mozilla. Não vou sugerir a versão mais recente do Explorer (8.0) porque pelo que vi é ainda uma versão de teste que tem recebido muitas críticas por parte dos infoentendidos e dos usuários.
Pode parecer uma medida um tanto radical ter que baixar e experimentar um outro navegador apenas para poder visualizar um blog, mas acredito que tal procedimento evitará futuramente outros problemas de visualização e até mesmo de aprimoramento do blog de vocês. Por isso, irei pôr na Barra Lateral o link de download do navegador Mozilla Firefox na sua versão mais recente.
Ps.: Sei que corro o risco de perder leitores, mas vou manter os blogs devidamente como estão. Acredito que em breve a Microsoft irá resolver mais este problema com o seu software, afinal fica inviável ser consumidor de um programa com tantos erros primários.
Metade homem, metade pássaro, é assim que costumo me definir.
A porção homem me faz fincar os pés no chão, criar raízes, usar a cabeça quando necessário. Ser estudante, trabalhador, filho, irmão, amigo e amante. A porção pássaro é ousada e desprendida, me faz voar para longe, na direção de territórios que, como homem, jamais explorei.
A porção homem me faz experimentar a vida, o amor, a dor e todas as emoções que afloram na superfície humana.
A porção pássaro me faz alçar vôo, experimentar as distâncias e as estrelas.
Como homem, sou capaz de amar, de sentir, de viver a semente que em mim foi plantada no começo dos tempos. Como pássaro, sou capaz de cantar, de ser livre, de espalhar a semente que me foi dada no começo de minha existência.
Sendo homem, também sou menino. Eu sonho, eu busco e faço o meu caminho. Sendo pássaro, abro as minhas asas, sinto todo o céu dentro de mim, e vou adiante. Sou às vezes homem. Sou às vezes pássaro, mas quase todo o tempo não sou nem uma coisa e nem outra, sou Poeta.